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O retorno do glorioso São Luiz aos gramados em 1986.


Grandes histórias possuem aquele misto de sensações, mas não existe conquista sem esforço, trabalho e determinação para enfrentar as dificuldades. E no futebol esses detalhes não são diferentes, pois é preciso coragem e força para se reerguer e recomeçar, características essas, que fazem parte da trajetória do Esporte São Luiz, clube aguerrido e de gente apaixonada pelo que faz. 

 
A partir do ano de 1977 o clube enfrentou o período mais obscuro da sua história, uma lacuna de oito anos sem atividades profissionais no futebol, e isso se deve a alguns fatores, e entre eles, dificuldades financeiras como carro-chefe. 
 
A decisão das lideranças do clube na época em suspender as atividades não foi fácil, passando por um processo longo entre reuniões, assembleias, colegiados e substituições na diretoria. No ano seguinte, a Federação Gaúcha de Futebol decidiu que o clube continuaria licenciado, ficando Emídio Odósio Perondi como presidente, mesmo eleito deputado federal e mudando-se para Brasília, e foi a partir deste fato que Armindo Pydd (doutor e atualmente chefe do departamento médico do São Luiz) responderia pelo clube. 
 
Armindo Pydd relembra que na época que o São Luiz estava paralisado, havia um campeonato amador muito competitivo em Ijuí, que reunia equipes da cidade e de toda a região. Após, criou-se uma liga amadora de futebol, da qual Pydd era presidente. 
Dirigentes do clube na época discutiam se a comunidade ijuiense desejava a volta do São Luiz, e para isso, uma reunião na Câmara de Vereadores foi convocada. “Veio muita gente na reunião e sentimos confiança para montar um time e com jogadores praticamente só de Ijuí”, conta.
 
Pydd destaca ainda que os anos que o São Luiz suspendeu as atividades havia um receio por parte dos dirigentes, mas que esse sentimento logo acabou por ter a população ao lado do clube. “Em Ijuí sempre tivemos um fator fundamental, a nossa comunidade realmente gosta de futebol e a partir disso, demos continuidade ao trabalho”, finaliza. 
 
Se o ano de 86 foi uma retomada ao futebol do São Luiz, também serviu de oportunidade para talentos locais, levando em consideração que a equipe foi formada por trabalhadores ijuienses que tiveram a honra de vestir o manto alvirrubro e fazer parte deste novo capítulo na história do clube. 
 
Por isso, nada melhor que essa nova página seja contada por um dos grandes personagens do São Luiz, Jair Galvão, que além de jogador, foi treinador das categorias de base e também do time profissional do São Luiz em 2005 e 2016. 
“No ano de 1986 foi realizada uma seleção na cidade de Ijuí para o futebol amador, oportunidade que vários jogadores foram selecionados para integrar o profissionalismo do São Luiz, então eram jogadores quase só da casa, onde começamos a treinar e fazer amistosos, e então em 1987 voltou a jogar campeonato profissional”, destaca Jair Galvão. 
 
Galvão conta que todos os atletas trabalhavam em empresas de Ijuí, sendo a maioria na IMASA – como era o seu caso. Os jogadores eram liberados de seus postos para realizar os treinamentos, e essa atitude foi fundamental para que aquele time do São Luiz alcançasse seus objetivos. 
“Foi uma experiência muito boa, porque eu já tinha jogado futebol profissionalmente, mas muitos jogadores da cidade ainda não tinham a mesma oportunidade, mas conseguiram graças ao São Luiz”, comenta.  
 
Após oito anos de licenciamento, o Esporte Clube São Luiz volta a disputar jogos oficiais da Federação Gaúcha de Futebol, integrando a 2ª Divisão de Profissionais. Na ocasião, em 1986, o Rubro conquistou o título de forma invicta disputando pela Chave Missões, a equipe contava com Chico, Pinto, Aílton, Adilson e Flávio; Rogério, Papico e Jair Galvão; Sapinho, Chibinha e Betinho; Técnico: Paulo Juswiak. 
 
Ainda em 1986 o Rubro participou de mais uma competição regional, a Copa Fenamilho, ao lado do Grêmio de Santo Ângelo, Oriental e o Botafogo - ambos de Três de Maio. Com três vitórias e três empates, o São Luiz conquistou o título por antecipação ao vencer o Oriental por 2 a 1, na cidade de Três de Maio no dia 16 de novembro. Estavam em campo: Chico, Olde, Júlio Souto, Pinto, Flávio, Rogério, Bertoldo, Sapinho, Jacaré, Palharini e Chuqui. 
 
Assim começou o retorno do futebol profissional do São Luiz aos gramados. Em 2001, após um convite de Edemir Sebastiano – na época Diretor das Categorias de Base, Jair Galvão retornou ao glorioso, mas na posição de técnico, a missão era montar uma equipe júnior para disputar as competições das categorias de base. 
“Acredito que fizemos uma campanha excelente, com um jogo que ficou marcado na história de Ijuí, pois eliminamos o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, em uma partida muito difícil dentro de Porto Alegre no CT do Estádio Olímpico Monumental. Foi uma partida realmente memorável, os jogadores foram brilhantes, e nós conseguimos ganhar em Ijuí de 1 a 0 e ganhamos lá (Porto Alegre) de 1 a 0 novamente, e entramos entre os quatro melhores do Estado”, conta Galvão.  
 
Já em 2005, os dirigentes Waldir Barrichello e Betinho, convidaram Jair Galvão para assumir o time profissional do São Luiz, apesar das dificuldades para montar equipe e comissão técnica. Porém, mesmo diante das adversidades, o São Luiz retornou à Primeira Divisão no primeiro ano sob o comando técnico de Galvão.  Por fim, em 2016 na sua última passagem como técnico do Rubro, Jair Galvão conta que a campanha foi média de acordo com as limitações.
 
Assim como Jair Galvão, o Esporte Clube São Luiz possui em sua história grandes nomes de jogadores, técnicos, dirigentes, equipes que não mediram esforços para reerguê-lo, que não o abandonaram, para que hoje possamos celebrar momentos inesquecíveis que somente o Rubro nos proporciona. Deste modo, é por tantos motivos que é e sempre será o glorioso São Luiz, que abre portas, oportuniza e realiza sonhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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